Excerto de "O Enigma de Zulmira"

[…]

Tinham falado pouco, preferiam deixar-se estar em silêncio, a fumar, a ouvir um ou outro chilreio e alguma súbita restolhada dos pássaros a escapulirem-se pela folhagem, a olhar para o ar por entre as ramagens dos arbustos e as copas das árvores. De onde estavam deitados avistavam-se alguns ciprestes a pontuarem verticalmente na escarpa arredondada pelas copas dos pinheiros mansos para o lado de Setúbal.

Pouco depois a mãos tocaram-se e seguiu-se um beijo. O Esmeraldo passou-lhe a mão pelo peito, sentiu-lhe a ponta endurecer e começou a desapertar-lhe a roupa. Verificou com surpresa que não trazia nada por debaixo do vestido. Nem soutien, nem combinação, nem cuecas. Só a pele macia.

Uma das mãos dele foi avançando, afagando-lhe os bicos do peito, depois tocando-lhe a púbis e detendo-se morosamente no sexo dela, enquanto a outra lhe percorria os pés descalços e as pernas, do tornozelo à coxa. A Zulmira deixava-o fazer, de olhos semicerrados, a respirar fundo, a prestar-se às carícias, a pôr o corpo a jeito. Mas não o deixou ir mais longe.

De cada vez que o Esmeraldo tentava mudar de posição e passar à fase seguinte, ela impedia-o, devagar, mas com firmeza.

De repente, soergueu-se apoiada num cotovelo, encarou-o nos olhos e perguntou:

– O que é que você quer de mim?

Esmeraldo engasgou-se. Não contava com aquilo e não captou a carga erótica da pergunta feita com voz rouca e velada. Levou a mão ao sítio da gravata, como a compor a maçã-de-Adão e tartamudeou como se fosse ele quem estivesse a ser objecto de um interrogatório policial:

– Eu… eu… você… eu… enfim… eu… você…

Não saia deste embaraço por alguns momentos que lhe pareceram uma eternidade, até que começou a murmurar uma prosa atrapalhada, como se estivesse a seduzir uma costureira abandonada num fim de tarde de domingo de Alfama, que achava que tinha de lhe dizer, que esperava que ela acreditasse que as suas intenções eram as melhores, que era solteiro e tinha situação modesta mas que, em face das circunstâncias, poderia considerar-se estável, que até esperava ser promovido em breve, porque ela já o conhecia o suficiente, que se sentia irresistivelmente atraído por ela, etc, etc.

Então a Zulmira encolheu os ombros, debruçou-se sobre ele, deitou-lhe a mão à braguilha, desapertou-a com destreza, agarrou-lhe o sexo tumefacto, curvou-se e chupou-o longamente. O Esmeraldo gemia a entrar em transe, resfolegava e revirava os olhos.

[…]

excerto de O Enigma de Zulmira, Quetzal Editores, Lisboa, 2002

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