Uma reflexão a respeito de atitudes

Se você for a um templo budista no Oriente, verá uma série de imagens que retratam um homem do campo conduzindo uma vaca. No primeiro quadro, vemos apenas um bezerro correndo pelos campos, pisando na colheita e causando um estrago generalizado. No segundo quadro, vemos o bezerro já adulto, com uma argola no focinho, sendo espancado pelo homem por ter se comportado mal.

O terceiro quadro mostra o homem do campo conduzindo lentamente a vaca, guiando-a para a esquerda e para a direita. No quarto quadro, o homem está montando na vaca, guiando-a enquanto toca uma flauta. No quinto quadro, a vaca desaparece e vemos apenas o homem do campo.

A vaca representa nossa ganância, nossas necessidades e nossos apetites. O homem do campo representa nosso verdadeiro eu – quem realmente somos debaixo das camadas da personalidade, das emoções, do medo e de tudo o mais que nos oprime.

No início, cometemos o engano de achar que a vaca é o nosso verdadeiro eu, ou seja, que somos formados apenas pela soma das nossas necessidades, apetites e ganância. Basicamente, somos o que queremos, sem nenhuma consideração mais profunda. Nesse nível, somos como animais.

Comemos quando queremos, dormimos quando desejamos, urinamos e defecamos quando sentimos vontade e fazemos sexo quando o desejo toma conta de nós.

O simples fato de estarmos cercados pelas facilidades e comodidades modernas e de nos deixarmos dirigir por algumas convenções sociais na significa que somos espiritualmente melhores do que um cachorro ou uma vaca. Nesse nível, ficamos felizes quando nossas necessidades são satisfeitas e infelizes quando elas não são.

Não temos dúvidas nem perguntas a respeito da vida propriamente dita e, conseqüentemente, deixamos de estar em contato com o nosso verdadeiro eu. Somos exatamente como a vaca que corre sobre a colheita, destruindo o que encontra pela frente sem cuidado e conhecimento.

O homem do campo coloca então uma argola no nosso nariz, um processo doloroso porém necessário, destinado a nos ensinar aonde precisamos ir. Ele nos puxa para cá e para lá com uma corda, ensinando-nos as coisas que podemos fazer os lugares aonde podemos ir, dando pancadinhas leves para nos manter despertos.

Enquanto atravessamos esse estágio, pouco a pouco percebemos que existem maneiras mas fáceis de chegar aonde queremos ir. O mais importante de tudo é que estamos descobrindo como chegar lá.

Quando o homem do campo (o nosso verdadeiro eu) consegue dirigir apenas com a voz, sem ter que puxar a corda, é porque conseguimos controlar nossa ganância e apetite. Sentimos os antigos impulsos, mas sabemos como controlá-los sem precisar da ajuda de outra pessoa. Logo, o homem do campo consegue nos guiar sem proferir uma única palavra.

Ele apenas toca flauta enquanto cavalga e sabemos automaticamente para onde devemos ir. É nesse estágio que conseguimos ver claramente o homem do campo, e ele a nós. Existe harmonia no relacionamento. Nosso ego-eu reconhece seu verdadeiro eu.

No último estágio, não há nenhuma vaca. Resta apenas o homem do campo. Nosso verdadeiro eu está sozinho, porque aprendemos a nos desfazer das camadas de ganância e apetites. Nesse ponto, não há por que haver uma vaca (o ego). Nossos pés podem nos levar para onde queremos ir.

Qual dos dois é mais forte em você? A vaca ou o homem do campo? Em muitos de nós, a vaca é mais poderosa e arrasta o homem para onde quer, vagando por todo o campo, perdida e sem um destino específico. Somente quando você deixar o homem do campo assumir o comando e guiar a vaca e que estará no caminho certo, porque seu verdadeiro eu sabe aonde quer ir.

Por que você sente tanto medo e ansiedade? Por que suas emoções ficam tão intensas? É porque você está deixando a vaca guiar o homem.

Seu verdadeiro eu é a luz, o farol que deveria guiar sua vida. você tem que deixá-lo brilhar, caso contrário você viverá nas trevas, vagando impotente em meio ao medo e à ansiedade que nos cerca. Na escuridão, até mesmo a luz fugida do vagalume parece brilhante.

E você gasta toda sua energia perseguindo essas luzes, sem se dar conta de que existe uma luz maior dentro de você. Não jogue fora sua correndo atrás de um inseto que piscará pela ultima fez e morrerá logo depois que você o capturar.

Não fique o tempo todo perseguindo uma intensa emoção momentânea. A maior fonte de saúde e felicidade está situada dentro do verdadeiro eu.

Se você procurar no meio das suas insignificantes necessidades e na sua ganância, vagará para sempre na escuridão.

Se você não iluminar seu verdadeiro eu, não descobrirá o verdadeiro significado da saúde e da felicidade.

O texto acima é trecho do Livro “O caminho da iluminação” de Seung Heung Lee

Uma resposta para Uma reflexão a respeito de atitudes

  1. branca_deneve2008 disse:

    Parabéns pela escolha to texto. bjos, sua amiga de sempre Joana

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