Conversa…

Abril 29, 2008

Duas amigas conversam:

- Você não desiste mesmo de querer saber tudo, hem?
- Não, não desisto… É uma coisa inerente a mim, assim como os homens nunca vão crescer ou os cachorros nunca vão parar de se lamber. Por quê? Isso te incomoda?
- Não exatamente. Mas me cansa. A sede que você tem de saber tudo me entedia, na verdade. Principalmente porque é inútil, você nunca vai saber tudo.
- Todo mundo sabe que vai morrer. Você por acaso deixa de viver por isso?
- Você tentou utilizar uma metáfora?
- É, tentei… Mas você entendeu, ou não saberia que foi uma metáfora.
- Sabe, às vezes você é tão pueril…
- E você às vezes é tão senil…
- …
- Observe um girassol plantado no chão. Ele é lindo, não é?
- Não, girassóis são horríveis.
- Tá, tá… Então observe uma rosa. Ela sim é linda, não?
- Sim…
- Se eu a colher do chão e colocar num vaso com água para enfeitar a minha casa, ela vai murchar e morrer.
- Obviamente…
- Mas se eu não a colher, ela vai murchar e morrer da mesma forma.
- Onde você quer chegar com isso?
- Já que ela vai murchar e morrer de qualquer maneira, ao menos que faça isso em cima da minha mesa, onde ela estará sendo mais útil do que ao relento.
- Certo… Você quer dizer que, já que vamos todos morrer de qualquer jeito, então que sejamos úteis no tempo em que estivermos aqui?
- Mais ou menos isso.
- Mas úteis para quem? No caso da rosa, ela está sendo útil para você, mas não para ela.
- …
- Talvez para ela fosse muito mais útil e prazeroso permanecer ao relento, sentindo o orvalho da noite nas suas pétalas, feliz por simplesmente existir.
- Você é tão simplista.
- Não, você é que é romântica demais…